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Regresso a Couchel - Blogue

Aqui confirmamos sempre se não estamos enganados nem a enganar ninguém

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GRELOS DE COUCHEL

GRELOS DE COUCHEL
Chegava-se a Couchel, e chega-se ainda hoje, por uma estrada escavada obliquamente na encosta de xisto, na qual, a partir do terceiro troço, só com alguns cuidados na escolha das velocidades e sem abrandar o pé do acelerador, se chegava ao planalto sem tremuras nem vacilações.
Num planalto, portanto, Couchel tinha cerca de trinta casas, alimentava na altura uma população a rondar as sete dezenas de almas, muito distante da conhecida fome e miséria que hoje se vê noutras lonjuras por esse mundo fora.

Couchel é, por certo, uma terra ancestral, com condições para ter sido habitada desde a primeira fixação humana, antes dos castros, antes de tudo.  
Couchel não era o que parecia à chegada… Rodeado de linhas de água, de uma rua só, como uma coluna vertebral do lugar, toda a parte de trás da aldeia  inclinava suave numa zona de microclima incomum de aceitável regadio.
Para além do maior ou menor quintal caseiro que toda a gente tinha, eram nas traseiras da povoação até aos Marmeleiros a Quinta do Senhor Abel da Venda Nova, logo ao lado o sempre impecavelmente cultivado quintal do Ti António Henriques.
Tudo do Ti António Henriques era maior e melhor. Os Porcos, as galinhas, o milho da Ribeira, os figos da figueira em frente do quintal do meu avô.
Desta vez o Ti António Henrique tinha semeado o quintal de nabos.
Chegou a altura, o Ti António Henriques deu grelos a quem os quis... era uma tarefa à minha medida, lá fui eu apanhar grelos. À ganância.
Era bom, a minha avó sabia fazer com grelos verdadeiros manjares, durante vários dias foram verdadeiros banquetes romanos.
Fiquei viciado em grelos pela vida fora. De tal maneira que, desde essa altura, durante latgos anos, grelos era comigo...  de qualquer maneira.

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Aniceto Carvalho

O ANCINHO E A GADANHA

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O ANCINHO E A GADANHA

(Beira Litoral interior, a dois passos da Beira Alta).

Na minha terra, o ancinho mais usado tinha o pente de madeira com pregos de cerca de 20 centímetros. A Gadanha era a aqui representada.

Na minha aldeia havia sempre alguém a passar uns dias na terra que estava há anos a viver em Lisboa. Como qualquer provinciciano que tinha pegado de estaca no Poço do Bispo ou em Alcântara, alguns deles voltavam à terra armados em alfacinhas parolos, por vezes "sem se lembrarem" de que tinham ali nascido.

Um destes “lisboetas” encontrou um ancinho ao lado de um corrimão.
Há três anos fora da terra "não se lembrava" como aquilo se chamava nem para o que servia… Perguntou à rapaziada dos velhos tempos.
A ver mal, com a crista a adejar à frente dos olhos, pôs o sapato precisamente onde não devia... O cabo do ancinho empinou como uma mola, veio de lá, deixou-o a andar de roda com um galo na testa do tamanho de um ovo.

- É UM ANCINHO!!! - gritou ele, lembrando-se de repente.

Aniceto Carvalho

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