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Regresso a Couchel - Blogue

Aqui confirmamos sempre se não estamos enganados nem a enganar ninguém

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A VELHA CASA DA LADEIRA

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A VELHA CASA DA LADEIRA

Tão velha que na trave superior da porta de entrada, num buraco aberto pelo passar dos anos, uma carriça vinha ali fazer o ninho e criar a prole como se tudo aquilo fosse da Joana... Uma carriça confiante e com sorte: Com sorte, porque o “charlot”, o gato lá de casa, dava saltos de cerca de três metros, do chão, na vertical, apanhava qualquer rato que mostrasse os bigodes entre o forro e o telhado.
A VELHA CASA DA LADEIRA via-se, e vê-se ainda, da Estrada da Beira, na Tapada de Vale de Vaz, lá no alto, debruçada sobre a várzea da Ribeira de Vila Chã.

Era a casa do meu avô, em Couchel, onde fui criado até aos doze anos.

Clic e veja: - Retalhos de Couchel

Aniceto Carvalho

RIBEIRA DE VILA CHÃ

RIBEIRA DE VILA CHÃ
Marginada pela Ribeira de Vila Chã em aproximadamente metade da sua periferia, a “Ribeira” era uma terra de regadio moderado, com uma larga leira de cultura de milho, a outra metade de sequeiro... um corrimão de videiras rodeava toda a propriedade, um outro atravessava-a diametralmente entre os dois extremos mais distantes.
A Ribeira era os olhos da cara do meu avô. Não só dele. Num poço mais ou menos a meio do percurso da Ribeira de Vila Chã em redor da propriedade, ficaram-me lá baldes de suor a tirar toneladas de água à picota, (burro, na minha terra), nos meus dezassete anos, e o sabor de enguias fritas, “pescadas” numa das limpezas ao poço ainda nos meus anos de escola.
Uma terra espectacular: Milho, abóboras, melões, feijão… na leira do outro lado, três ou quatro robustas oliveiras, leguminosas a azotar a terra: tremoços, grão de bico…

Vinha o tempo da colheita.
O meu avõ instalava taipais no carro de bois, enchia-o de espigas de milho; por cima acrescentava molhos de tremoceiros a chocalhar, abóboras, cebolas penduradas nos fueiros, cabaças, pernadas de macieira aqui e ali.
O sacrifício dos animais na subida para Couchel não era o espectáculo mais bonito de se ver… contudo, perante uma aldeia embasbacada à obra de arte do meu avô a Joana Vasconcelos não tinha qualquer hipótese.

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Aniceto Carvalho

O INDUSTRIAL DE COUCHEL

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O INDUSTRIAL DE COUCHEL

Homem do norte, sem que se saiba porquê, criou uma fábrica nos arredores de Lisboa, na Linha de Sintra: 150 postos de postos de trabalho, numa aldeia satélite do Cacém, onde antes não havia nada nem coisa nenhuma.
Vieram novas gentes, mais casas, a mercearia, o lugar de hortaliça, as tabernas, as casas de pasto, a igreja paroquial, os correios, a sociedade recreativa, a filarmónica, o jazz band, o cinema, o teatro… a zona era aprazível, passou a ser conhecida, um refúgio de centenas de veraneantes lisboetas ao fim de semana no Verão.
O homem do norte morreu em finais dos anos cinquenta. Sem herdeiros para lhe continuarem a obra, da antiga fábrica de curtumes resta lá o local.
Hoje, em Rio de Mouro Velho, ninguém saberá quem foi António Pedroso, o industrial de Couchel, Vila Nova de Poiares, nem uma inscrição numa chapa enferrujada num muro… Mas do estudante rambóia, baladeiro ANTIFASCISTA que, com tudo do melhor nem uma vida responsável soube orientar, toda a gente sabe até a cor das cuecas.
Aniceto Carvalho

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