Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Regresso a Couchel - Blogue

Aqui confirmamos sempre se não estamos enganados nem a enganar ninguém

Regresso a Couchel - Blogue

Aqui confirmamos sempre se não estamos enganados nem a enganar ninguém

Um ninho na Fonte das Tortas

Um ninho na Fonte das Tortas

Encontrar um ninho deste artista, um rouxinol, era um prodígio.

Um dia encontrei um na Fonte das Tortas. Na minha melhor boa fé, corri a ensiná-lo ao Alberto “Mascarenhas”, o meu maior amigo. Avisei-o repetidamente:
- Se roubares este ninho, mato-te, corto-te aos bocadinhos e dou-os ao cão 
da Abessada, o Mondego, e ao Liró, o cão do Ti António Henriques!
O Alberto nem pestanejou: Logo que virei as costas, roubou o ninho.
Não matei o Alberto “Mascarenhas” mas, fica aqui dito que foi por uma unha negra que não o entreguei num cestinho à ti Maria do Alpendre.
Clic e recorde:

http://projectoteclar.blogspot.pt/2007/06/os-ninhos.html

“Mascarenhas” porque a minha tia Alcina achava que Mascarenhas queria dizer artolas. Mas não. O Alberto não era artolas. Nem perto. Na verdade era mais ajuizado do que eu com uma paciência infinita para me aturar.

O Alberto continuou a ser o meu maior amigo, por certo o meu melhor amigo de todo o sempre se acaso tivéssemos seguido vidas próximas.
Esteve de visita em minha casa em 1965, antes da minha segunda comissão, cada um voltou a seguir o seu caminho, nunca mais o voltei a ver.

Aniceto Carvalho

Cestos da minha terra

Cestos5.jpg

Os cestos da minha terra

Como facilmente se reconhece, estes cestos usados na minha região não  eram feitos de vime entrançado, mas sim em madeira de salgueiro branco que tem o particular de se deixar transformar em tiras de mais ou menos um ou dois metros de comprido, dois ou três centímetros de largura, um ou dois milímetros de espessura.

O cesto da minha terra tinha o formato do exemplar em cima, à squerda, com o dobro da largura em relação à altura Basicamente existiam cestos com três tamanhos: O normal, grande, com a capacidade de um alqueire, cerca de 20 litros, um médio, metade deste  volume, e um mais pequeno, de dois litros, para as crianças aprenderem como se faziam as coisas e custava o trabalho.

Embora também por vezes se lhe chamasse canastra, a canastra era no entanto, mais pequena, oval, achatada e usada pelas vareiras da região  marítima Oeste, Aveiro, Ovar, etc., ou varinas, em Lisboa.

O exemplar em cima, à direita, era uma cesta: Mais funda, redonda, mais larga, com um metro de diâmetro.

"Ajoujada", na minha terra, na altura, tinha o sentido de carregada.

Dizia-se que uma mulher ia "ajoujada" quando carregava uma cesta destas  à cabeça cheia de produtos da terra, com alfaias, sabe-se lá que mais, que  mesmo com as mãos na cintura, até os filhos levava lá dentro.

Aliás era perfeitamente normal as mulheres da altura não precisasarem  das mãos para nada para segurarem à cabeça uma cesta de espigas de milho ou um cântaro de almude cheio de água.

Aniceto Carvalho

As cuecas pretas da Arminda

As cuecas pretas da Arminda

Naquele tempo, por volta da metade dos anos 40, bem antes e depois, todo o bocado onde fosse possível plantar uma couve ou semear uma batata era aproveitado na minha terra.

A zona sempre foi bastante limitada de recursos agrícolas.

Cá em baixo, no vale, nas margens da Ribeira de Vila Chã, nem tanto, as culturas eram de regadio sofrível, mas lá em cima, no planalto de Couchel, cá para mim uma ancestral fortaleza natural de atalaia às avoengas da Estrada da Beira, salvo dois ou três casos de poços profundos com minas, boa parte das leiras não tinham um pingo de água no Verão.

Uma dessas leiras era do meu avô: Um rectângulo de torrões ressequidos em ligeira inclinação do Cabeço para a quelha da Avessada, que dava grão de bico e tremoços para azotar a terra em poisio, e cereal de segunda qualidade, centeio, cevada e aveia na época mais fértil.

Melhor ou pior, era a altura da ceifa. As ceifeiras eram a minha tia Dora, minha madrinha, uma rapariga de 23 anos, um torrão de açúcar na época, e a Arminda, uma mocetona peituda com a mesma idade, que transpirava hormonas, e umas pernas que pareciam duas colunas jónicas.

Eu andava por ali. Se as duas moças me davam corda, o que era normal, não era de esperar que eu fosse rezar na Capela da Eira dos Santinhos. Tinha os meus oito ou nove anos, não era cego, o meu avô dava uma ajudinha a completar o ramalhete.

A Dora olhou para o lado, fez sinal à Arminda, a Arminda olhou para baixo, apanhou-me esparramado de costas no chão com os olhos cravados lá no alto mesmo no meio das pernas dela. Não fui tão rápido como pensava, fui atropelado por um combóio de mercadorias, só parei de rebolar nas Paúlas, cerca de um quilómetro depois, a dois passos da Ponte Velha.

Sacudi as parganas, fiquei pronto para outra.

Mas um enigma perdurou no tempo: Até hoje nunca cheguei a descobrir se o que eu vi eram as cuecas pretas da Arminda.

Pulhas, ancestral tradição

Com a devida vénia… (Extraído do SITE)

Junta de Dreguesia de Pampilhosa da Serra

As pulhas ou deitar as pulhas era um divertimento carnavalesco.

Nesta quadra, durante a noite, um reduzido número de rapazes/homens dirigia-se para o morro alto dos arredores da sua povoação e daí gritavam graças (em frases ou mais usualmente em verso) alusivas a factos relacionados com as pessoas da comunidade. Quando as condições geográficas o permitiam, através da existência de mais morros no perímetro da povoação, chagava-se mesmo a estabelecer diálogo previamente combinado entre grupos situados em morros diferentes.

Nas pulhas revelavam-se muitos namoros, até infidelidades encobertas, quantas vezes levantando-se calúnias. Muitas situações difíceis, com pessoas atingidas ou familiares a perseguirem os deitadores das pulhas, foram dos aspectos mais delicados e comprometedores a contribuir para que a tradição acabasse, embora num passado ainda muito recente fosse realidade na Pampilhosa.

O reduzido número de participantes tinha por objectivo, por um lado, a manutenção do segredo do anonimato, anos fora, consoante a gravidade das acusações pulhadas, por outro, para permitir uma mais fácil fuga, em caso de pressentimento de tentativa de esforço. Neste caso, chegavam a dividir-se, indo cada um para o seu lado, reunindo-se posteriormente em local previamente combinado.

As pulhas tinham também os seus apetrechos próprios: um funil de cone bastante largo e com bocal na extremidade do tubo, para o que deitava as pulhas.Outro elemento levava um bacamarte já que durante as pulhas mandava uns fogachos para intimidar os possíveis ousados perseguidores.

Entre o arrazoado das pulhas, de vez em quando gritava: - Companheiro da esquerda, fogo! – e saía fogo. Depois mandava o companheiro da direita de onde saía fogo. Quase sempre era o mesmo, mas quem ouvia ficava sempre na dúvida se seriam só dois ou três ou até mais.

Até porque este grupo poderia ter outros elementos afastados, de segurança, em local estratégico que prescutaria o início da perseguição avisando com sinal próprio os seus companheiros das pulhas.

O deitador de pulhas, embora o funil já distorcesse a voz, ainda mais a disfarçava, mesmo na pronúncia a fim de não ser reconhecido. O morro mais usual donde eram deitadas as pulhas era os Outeiros (Oiteiros); também algumas vezes no Areal – Gândara estabelecendo-se o tal diálogo.

NOTA PESSOAL À MARGEM

Na minha terra, concelho de Vila Nova de Poiares, nos limites com o concelho da Lousã, a tradição das PULHAS foi proibida e acabou nas proximidades do final da Segunda Grande Guerra.

Aniceto Carvalho

Coroa de Glória

(93)Miguel09.jpg

O meu neto Carlos Miguel, em 1993, com dois anos

Até a mim hoje custa acreditar que eu próprio tenha feito uma coisa destas sem ter a menor ideia de como se trabalhava a fibra de vidro.

O material, contudo, não me era totalmente estranho: As portas de trás do Alouette III, como boa parte do JetRanger eram em fibra de vidro.

Ter-se-á partido uma porta de um helicóptero, não me admiro se acaso fui incumbido de resolver situação: Terei ficado com uma vaga ideia de umas bisnagas de produtos pastosos que se misturavam em certas doses, da qual resultava uma superfície plana ou moldada rígida depois da secagem, trabalhada à bancada, à rebarbadora, à lima, à lixa, etc. e tal, conforme as exigências. Não estava muito longe da realidade.

Se eu tinha resolvido fazer um carro em fibra de vidro, estava decidido:

Localizei dois profissionais do ramo, como troca de lhes comprar todo o material necessário, não foi nada difícil que eles me ensinassem a fazer fibra de vidro como se eu nunca tivesse feito outra coisa na vida.

Na teoria, claro… na prática as coisas foram diferentes.

Só um doido se põe a fazer e a modelar fibra de vidro sem antes ter alguma prática do assunto: Foi precisamente o que eu fiz. Impensável…

O preparado da fibra de vidro é uma mistura de uma resina com um secante, tem um cheiro sufocante do pior, o manuseamento é horrível. 

Mas quando a gente quer, faz: Fiz um molde de um bloco de cortiça, ajustei-lhe a serrapilheira, apliquei-lhe várias camadas de fibra de vidro líquida.

Não custou nada… foi só abominável. Depois, separar o molde de peça moldada… foi como arrancar os dentes a um crocodilo vivo.

O resto foi bancada, rebarbadora, lima, lixa, pulverizador e tinta...   

Como a imagem mostra: Rodas de pneu, suspensão do melhor, direcção assistida, sistema de transmissão de última geração, estava lá tudo.

Dedicação e trabalho à minha maneira… Total.

Pequeno para o destinatário, grande demais para adorno de mesa de sala, nunca funcionou, acabou sem grandeza nem glória na arrecadação.

Ainda assim, foi uma das minhas obras de arte mais bem sucedida.

NOTA: Algumas pessoas menos crédulas poderão alimentar normais dúvidas quando eu digo que fiz isto, aquilo e aqueloutro. Estão no seu pleno e absoluto direito. Mas aqui o bólide teve várias testemunhas que acompanham por aqui tudo o que eu escrevo.

Portanto, por umas podem tirar as outras.   

Aniceto Carvalho

O símbolo de uma doutrina

O símbolo de uma doutrina

Como se supõe que toda a gente saiba, Berlim, a capital da Alemanha e maior cidade da Europa, não ficou na fronteira entre as duas novas alemanhas quando da sua separação no fim da Segunda Guerra. Não, Berlim ficou bem dentro da Alemanha de Leste, a centenas de quilómetros da Alemanha Ocidental. O Ocidente apenas ficou com um enclave na cidade, dividido em três sectores entre os Estados Unidos, a Inglaterra e a França.

Passei quinze dias no Sector Americano de Berlim em Outubro de 1975, fui tão entusiasticamente incentivado a visitar Berlim Leste pelos portugueses a trabalhar na Alemanha como se eu me quisesse suicidar.

Não fui lá, claro. Contudo, pelo que me contaram e vi para o lado do Berlim Leste eram dois mundos que nada tinham a ver um com o outro.

(Assim por alto, visto de cima do muro da parte americana, Berlim Leste era como estar a ver o Casal Ventoso da Praça do Rossio)

Constava que havia jovens moçambicanos e fugir e a serem recrutados para a FRELIMO, mas não se sabia nem interessava que se soubesse.

Estavam na República Democrática Alemã (RDA) - dizia-se. 

Após a independência é que se viu a quantidade de gente “qualificada” que de repente apareceu nas alfândegas e nos lugares mais estratégicos.

E vinham bem doutrinados: De tal forma que, para eles, jovens acabados de chegar à terra prometida, nem lhes passava pela cabeça que se pudesse ter estado na capital da RDA e não se ter visto a torre da televisão no Berlim Leste, o expoente máximo de tudo do melhor que existia  no mundo.

Esse jovens tinham estado na RDA a estudar: Ordenado, estudos, descontos sociais a reembolsar ou a transferir para Moçambique no fim do curso.

Debaixo do olho atento da URSS, a Alemanha de Leste estava a semear…

E, se o fluxo tinha sido modesto até 1975, a partir de então os estudantes moçambicanos na Alemanha de Leste passaram a ser aos magotes.

E assim continuou… Até que o Muro de Berlim desabou em 1989.

Os jovens moçambicanos tiverem de regressar a casa. A Alemanha de Leste deixou de existir, Moçambique não tinha nem nunca teve dinheiro.  

Tanto quanto se sabe, até ao atual, os antigos estudantes moçambicanos na ex-RDA ainda não se fartaram de protestar que têm sido indecentemente roubados, nem de levar porrada como pagamento a prestações.

Aniceto Carvalho

Debates e coisas sérias

DEBATES E COISAS SÉRIAS

Clic para ver:  https://www.youtube.com/watch?v=XVhy_dJDtAE

Em debates televisivos do tipo "Prós e Contras", afins e similares, não se discute o melhor equipamento de combate a incêndios, não se questiona o melhor processo de assentar um tijolo em cima de outro, nem qual dos peixes é o melhor para caldeirada; em debates televisivos do tipo "Prós e Contras", etc. e tal, discute-se o sexo dos anjos, polítiquices, coisas de quem não sabe fazer nada... Na realidade, quando se discutem temas técnicos ao mais alti nível, localização de aeroportos, meios para combate a incêndios e coisas assim, em bebates televisivos do género "Prós e Contras, similares, afins e etc. em salas cheias de gente que não sabe a diferença entre uma vaca loira e um grilo, ninguém está a querer informar seja o que for... está a dar um festival de conversa fiada para parolo ver e ouvir. 

Aniceto Carvalho

Perestrello e Salazar

PERESTRELLO, SALAZAR E O PADRE

Esta é das tais histórias à moda dos nossos saudosos escritores antigos: Júlio Dinis, Herculano, etc, de uma boa parte de professores universitários do Século XX, limpinha, linear, que até uma criancinha adora ler.

Ainda hoje há quem escreva assim. ADRIANO MOREIRA.

(Retirada da biografia do Salazar escrita por Franco Nogueira). 

O pai de António Oliveira Salazar era feitor numa grande propriedade do velhote Perestrello, situada lá para os lados de Santa Comba Dão.

Perestrello teve dois filhos, um rapaz e uma rapariga. A menina ainda foi namorada de Salazar e o rapaz, de futuro mais conhecido pelo Perestrello Vasconcellos, que cursou engenharia, quando Salazar chegou ao poder colocou-o como administrador da Casa da Moeda e posteriormente, em 1939, assumiu a gestão do Arsenal do Alfeite.

Perestrello Vasconcellos morreu em 1962 e deixou seis ou sete filhos, dos quais um deles foi engenheiro naval, na Lisnave, e outro, sentiu vocação para sacerdote e veio a ser capelão da Marinha.

Em 1959, o capelão Perestrello fez parte da célebre conspiração "Caso da Sé", na qual participaram vários opositores ao regime, como Manuel Serra. Na eminência do capelão também ser preso, o presidente do governo, Oliveira Salazar, chamou a S. Bento o pai do capelão Perestrello Vasconcellos e aconselhou-o a mandar o filho para o Brasil, para que não tivesse o desgosto de ver um filho na prisão. Tudo em consideração ao velhote Perestrello de quem o pai de Salazar tinha sido feitor.

E foi assim que o padre Perestrello Vasconcellos debandou para o Brasil.

Nos anos 70, com a primavera marcelista do primeiro-ministro Marcelo Caetano, o padre Perestrello Vasconcellos regressou a Portugal e foi exercer o sacerdócio na paróquia de Loures.

Num belo dia, o admirado e venerado padre Perestrello Vasconcellos, em plena missa dominical, deixou os paroquianos atónitos e lavados em lágrimas. Anunciou que iria deixar o sacerdócio porque se apaixonara por uma senhora da família Lorena. O padre passou à sua condição de cidadão com matrimónio e dessa união nasceu Marcos Perestrello Vasconcellos, o ex-vereador socialista da Câmara de Oeiras e actual secretário de Estado da Defesa do governo do Partido Socialista.

P.S. - Já agora mais uma história da família Perestrello e do Dr. Salazar.

Realmente (e tal como se refere no texto acima) o jovem Salazar (que pelos vistos era um mulherengo e não um misógino) gostava da jovem Perestrello e ela retribuía esse amor com paixão.

Até que a mãe se apercebeu e terminou com o namoro, não sem antes dizer de viva voz ao jovem professor Universitário (imaginem, de Finanças Pùblicas!!!!)… que tinha muita consideração pela inteligência dele, mas, sinceramente, namorar com a filha dela, uma Perestrello, era demais.

Ele não se podia esquecer, que era e seria sempre o filho do caseiro.

Terminou assim o namoro.

Anos passados, já Salazar era Presidente do Conselho, quando recebeu um telefinema da senhora Perestrello para lhe pedir um favor.

O telefonista passou a chamada, ela anunciou: "Daqui fala a Perestrello"...  O Salazar respondeu "Daqui fala o filho do caseiro".

(Autor desconhecido)

Embora se possa pensar o contrário à primeira vista, António de Oliveira Salazar era demasiado grande para guardar qualquer espécie de rancor ou ressabiamento por o pai ter sido caseiro do Perestrello...

Como o resto do texto o comprova claramente.

Bem prega Frei Tomás

BEM PREGA FREI TOMÁS

O santo trotskista

Quando aqui há uns anos o Senhor Herman perguntou ao Senhor Otelo se no sistema que ele defendia cada um podia ter o seu carrinho, a sua tasquinha na esquina, uma televisão e um rádio, etc., o revolucionário  respondeu quase ofendido: Que “SIM SENHOR”… que nas esquerdas que ele preconizava, cada qual era livre de ter o que pudesse e quisesse, e que quem dizia o contrário eram os reaccionários.

É o que eles dizem sempre que os contestam com os milhões de mortes, roubalheira e as amplas liberdades das estepes:

“QUE NÃO É BEM ASSIM”.

MAS É ASSIM MESMO: O rico e o remediado são espoliados de tudo, com isso  o pobre fica de tanga à mercê do verdugo político. EU VI.

E quem acredita neles é porque nunca viu gatos miar antes de nascer, e por isso será o responsável pela desgraça dos seus descendentes.

“Mais vele experimentá-lo que julga-lo”… mas nem sempre.

O CONFIANTE E O INSEGURO

O confiante acha que é na grande empresa que pode mostrar o que vale; o inseguro pensa que é na pequena. São opiniões. Mutatis mutandis, vale para todas as actividades e organizações, políticas, etc. 

Está pecebido, ou será preciso explicar melhor?

Aniceto Carvalho

O Virgulino Cara Lisa

O VIRGULINO CARA LISA NA PRAIA

E lá vai ele praia fora. Areia abrasadora, pé descalço, tronco nu, calção largueirão, sem nada por baixo, a chegar a meio da canela escanzelada.

Um calor dos trópicos, o Virgulino destila toneladas de água.

Embasbacado olha o marzão, imagina o que estará do outro lado.

Sem mais nem menos, de repente o Virgulino perde a cabeça: Corre a toda a velocidade praia fora, entra de cabeça no oceano, sai a nadar Atlântico fora, dá cambalhotas, mergulha nas profundezas, apanha tubarões…

Volta à praia ofegante a deitar os bofes pela boca.

Calção de tecido fininho colado ao corpo, parecia que o Virgulino Cara Lisa trazia o cabo de uma marreta pendurada na cintura.

As mulheres riam à socapa por entre os dedos meio abertos à frente dos olhos, os homens, roxos de inveja,  nem queriam acreditar.

Foi então que o Virgulino deu por isso.

Todo envergonhado gritou para toda a praia:

- Que é que foi, cambada de pategos? Quando vocês mergulham na água fria o vosso pinto também não fica pequenino?

Aniceto Carvalho 

Com uma veia literária

A MINHA VEIA LITERÁRIA

Imaginem que naquela idade maluca pela qual quase todos nós passamos, e até mais tarde, eu iniciei a minha “vida literária” com poesia. E até cheguei a publicar no jornal, e não sei se mais alguma coisa.

Depois reparei que se queria que as pessoas me entendessem tinha que falar claro e não com cantigas mais ou menos indecifráveis.

Em boa hora. Há décadas que eu só sofro desgostos com poetas.

O último foi a noite passada num programa sobre o Pablo Neruda que depois fui vasculhar mais a preceito na Wikipédia.

PABLO NERUDA

O que é que se pode pensar de um indivíduo, inclusive diplomata do seu país num outro liberal dos anos 40, (não é um analfabeto qualquer), que vive a espezinhar e a insultar todos os representantes e governantes da cultura política ocidental da altura, e a pôr nas alturas um regime sanguinário que na mesma época assassina milhões de pessoas inocentes que nem se atreveriam de pensar o que ele faz no seu próprio país?

A POESIA E O POVO

Como forma de arte que é, da poesia pode gostar-se ou não. E pouco mais.

É muito rara a poesia que diga alguma coisa ao comum dos mortais por muito instruído que seja. O que valoriza a poesia é o seu enigmatismo a tender para o intelectual, o que faz algumas pessoas usarem barba e terem um ar distante de pensador que, julgam elas, lhes fica a matar.

Salvo as raras excepções de meia dúzia de poetas com a poesia no sangue, e dos poetas populares, esses sim, os autênticos, tudo o resto são reminiscências de estudantes cábulas que escreveram dois ou três versos na idade maluca que, sem ter habilidade para mais nada ficaram por ali.

É POETA! Se os versinhos são de esquerda é o delírio: Vem o candidato a intelectual que com mais dois ou três amigos do “poeta” acha a “obra” digna de um Antero de Quental, a seguir, como ninguém tem tomates para dizer que aquilo é um nojo, o séquito aumenta e segue por ali fora.

Ninguém entende nada do que a criatura diz nem o que quer dizer. Nem isso interessa. Aliás, o importante mesmo é que ninguém entenda… Que ninguém intenda e que a turba de basbaques intelectuais vá aumentando.

EU E A POESIA

Se eu que até julgo saber umas coisitas, que nem me considero assim muito destituído, que até já publiquei dois livrecos, não entendo nada da poeia que corre por aí, como é que num país de analfabetos que não lêm nem querem ler, nem estão para isso, existe tanta gente embasbacada com poetas, a bater palmas, seguiguidores e intelectuais da poesia?

Aniceto Carvalho

Comandantes temos

COMANDANTES TEMOS

Existem hoje mais comandantes de bombeiros, de protecção civil, etc. e tal, do que comandanes militares nos 14 anos de Guerra do Ultramar.

Conclusão: Comandanes temos, falta é quem saiba fazer algum coisa. 

Aniceto Carvalho

Eles, em trajes menores

ELES, EM TRAJES MENORES

Só por ignorância, maldade ou fins políticos torpes se poderá dizer que em Portugal havia uma ditadura ou fascismo nos meados do Século XX.

Não, não havia. O que havia era meia dúzia de indivíduos desqualificados de qualquer actividade que passavam a vida de tasca em tasca à conta dos pais, aos caídos, sabe-se lá como, seguidos de um séquito de pelintras indigentes de igual calibre, todos eles ressabiados conspiradores por ninguém lhes ligar a menor importância nem os querer em lado nenhum.

A espécie é comum e muito antiga. O percurso do futuro candidato a político começa no colégio: Um dos meninos é filho de alguém de nome, tem amiguinhos que, por isso vão passando às costas… Os meninos ficam em dívida, os anos vão passando, o círculo vai solidificando.

De qualquer maneira, chegados à universidade por volta dos vinte anos, aos vinte e quatro os meninos estão licenciados sem qualquer esforço, sem a menor vontade ou ideia de se esforçarem a fazer seja o que for.

Passam-se anos, toda a gente os conhece: Ninguém os convida… Sabe-se que, mesmo na “ditadura” é preciso ter um mínimo de capacidade. 

Está na hora da intriga e da conspiração… a actividade preferida por quem não sabe, nem quer fazer nada. É agora necessário que os “meninos” de então comecem a pagar os antigos favores, a pôr nas alturas o próximo futuro desconhecido salvador da Pátris, enfim a fazer pela vidinha para não ficarem afastados da gamela quando a oportunidade chegar.

Depois foi só mantar em lume brando. E esperar. 

Não, não havia. No Portugal do Estado Novo não havia qualquer ditadura, fascismo, nem nada que se parecesse.

Fala quem sabe: Oitenta e três anos de experiência de vida, não de polidor de esquinas. Da província interior norte, 10 irmãos filhos de caseiro, todos com a Quarta Classe, hoje tudo gente de vida esmerada e honesta.

Era assim para quem queria e fazia por isso.

Não, não gavia. O que havia na tal tal “ditadura" o no estafado “fascismo” era uma chusma de imprestáveis com pretenções, ressabiados por ninguém da época lhes ligar importância nenhuma nem os querer por perto.

Alguém conhece nestes últimos quarenta e tal anos alguma coisa de superior valor ou qualidade que estivesse proibida pelo Estado Novo?

Como queríamos demonstrar.

Aniceto Carvalho

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D