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Regresso a Couchel - Blogue

Aqui confirmamos sempre se não estamos enganados nem a enganar ninguém

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Cestos da minha terra

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Os cestos da minha terra

Como facilmente se reconhece, estes cestos usados na minha região não

eram feitos de vime entrançado, mas sim em madeira de salgueiro branco

que tem o particular de se deixar transformar em tiras de mais ou menos

um ou dois metros de comprido, dois ou três centímetros de largura, um

ou dois milímetros de espessura.

O cesto da minha terra tinha o formato do exemplar em cima, à squerda,

com o dobro da largura em relação à altura

Basicamente existiam cestos com três tamanhos: O normal, grande, com

a capacidade de um alqueire, cerca de 20 litros, um médio, metade deste

volume, e um mais pequeno, de dois litros, para as crianças aprenderem como se faziam as coisas e custava o trabalho.

Embora também por vezes se lhe chamasse canastra, a canastra era no

entanto, mais pequena, oval, achatada e usada pelas vareiras da região

marítima Oeste, Aveiro, Ovar, etc., ou varinas, em Lisboa.

O exemplar em cima, à direita, era uma cesta: Mais funda, redonda, mais larga, com um metro de diâmetro.

"Ajoujada", na minha terra, na altura, tinha o sentido de carregada.

Dizia-se que uma mulher ia "ajoujada" quando carregava uma cesta destas

à cabeça cheia de produtos da terra, com alfaias, sabe-se lá que mais, que

mesmo com as mãos na cintura, até os filhos levava lá dentro.

Aliás era perfeitamente normal as mulheres da altura não precisasarem

das mãos para nada para segurarem à cabeça uma cesta de espigas de

milho ou um cântaro de almude cheio de água.

Aniceto Carvalho