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Regresso a Couchel - Blogue

Aqui confirmamos sempre se não estamos enganados nem a enganar ninguém

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Com uma veia literária

A MINHA VEIA LITERÁRIA

Imaginem que naquela idade maluca pela qual quase todos nós passamos, e até mais tarde, eu iniciei a minha “vida literária” com poesia. E até cheguei a publicar no jornal, e não sei se mais alguma coisa.

Depois reparei que se queria que as pessoas me entendessem tinha que falar claro e não com cantigas mais ou menos indecifráveis.

Em boa hora. Há décadas que eu só sofro desgostos com poetas.

O último foi a noite passada num programa sobre o Pablo Neruda que depois fui vasculhar mais a preceito na Wikipédia.

PABLO NERUDA

O que é que se pode pensar de um indivíduo, inclusive diplomata do seu país num outro liberal dos anos 40, (não é um analfabeto qualquer), que vive a espezinhar e a insultar todos os representantes e governantes da cultura política ocidental da altura, e a pôr nas alturas um regime sanguinário que na mesma época assassina milhões de pessoas inocentes que nem se atreveriam de pensar o que ele faz no seu próprio país?

A POESIA E O POVO

Como forma de arte que é, da poesia pode gostar-se ou não. E pouco mais.

É muito rara a poesia que diga alguma coisa ao comum dos mortais por muito instruído que seja. O que valoriza a poesia é o seu enigmatismo a tender para o intelectual, o que faz algumas pessoas usarem barba e terem um ar distante de pensador que, julgam elas, lhes fica a matar.

Salvo as raras excepções de meia dúzia de poetas com a poesia no sangue, e dos poetas populares, esses sim, os autênticos, tudo o resto são reminiscências de estudantes cábulas que escreveram dois ou três versos na idade maluca que, sem ter habilidade para mais nada ficaram por ali.

É POETA! Se os versinhos são de esquerda é o delírio: Vem o candidato a intelectual que com mais dois ou três amigos do “poeta” acha a “obra” digna de um Antero de Quental, a seguir, como ninguém tem tomates para dizer que aquilo é um nojo, o séquito aumenta e segue por ali fora.

Ninguém entende nada do que a criatura diz nem o que quer dizer. Nem isso interessa. Aliás, o importante mesmo é que ninguém entenda… Que ninguém intenda e que a turba de basbaques intelectuais vá aumentando.

EU E A POESIA

Se eu que até julgo saber umas coisitas, que nem me considero assim muito destituído, que até já publiquei dois livrecos, não entendo nada da poeia que corre por aí, como é que num país de analfabetos que não lêm nem querem ler, nem estão para isso, existe tanta gente embasbacada com poetas, a bater palmas, seguiguidores e intelectuais da poesia?

Aniceto Carvalho