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Regresso a Couchel - Blogue

Aqui confirmamos sempre se não estamos enganados nem a enganar ninguém

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Aqui confirmamos sempre se não estamos enganados nem a enganar ninguém

Coroa de Glória

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O meu neto Carlos Miguel, em 1993, com dois anos

Até a mim hoje custa acreditar que eu próprio tenha feito uma coisa destas sem ter a menor ideia de como se trabalhava a fibra de vidro.

O material, contudo, não me era totalmente estranho: As portas de trás do Alouette III, como boa parte do JetRanger eram em fibra de vidro.

Ter-se-á partido uma porta de um helicóptero, não me admiro se acaso fui incumbido de resolver situação: Terei ficado com uma vaga ideia de umas bisnagas de produtos pastosos que se misturavam em certas doses, da qual resultava uma superfície plana ou moldada rígida depois da secagem, trabalhada à bancada, à rebarbadora, à lima, à lixa, etc. e tal, conforme as exigências. Não estava muito longe da realidade.

Se eu tinha resolvido fazer um carro em fibra de vidro, estava decidido:

Localizei dois profissionais do ramo, como troca de lhes comprar todo o material necessário, não foi nada difícil que eles me ensinassem a fazer fibra de vidro como se eu nunca tivesse feito outra coisa na vida.

Na teoria, claro… na prática as coisas foram diferentes.

Só um doido se põe a fazer e a modelar fibra de vidro sem antes ter alguma prática do assunto: Foi precisamente o que eu fiz. Impensável…

O preparado da fibra de vidro é uma mistura de uma resina com um secante, tem um cheiro sufocante do pior, o manuseamento é horrível. 

Mas quando a gente quer, faz: Fiz um molde de um bloco de cortiça, ajustei-lhe a serrapilheira, apliquei-lhe várias camadas de fibra de vidro líquida.

Não custou nada… foi só abominável. Depois, separar o molde de peça moldada… foi como arrancar os dentes a um crocodilo vivo.

O resto foi bancada, rebarbadora, lima, lixa, pulverizador e tinta...   

Como a imagem mostra: Rodas de pneu, suspensão do melhor, direcção assistida, sistema de transmissão de última geração, estava lá tudo.

Dedicação e trabalho à minha maneira… Total.

Pequeno para o destinatário, grande demais para adorno de mesa de sala, nunca funcionou, acabou sem grandeza nem glória na arrecadação.

Ainda assim, foi uma das minhas obras de arte mais bem sucedida.

NOTA: Algumas pessoas menos crédulas poderão alimentar normais dúvidas quando eu digo que fiz isto, aquilo e aqueloutro. Estão no seu pleno e absoluto direito. Mas aqui o bólide teve várias testemunhas que acompanham por aqui tudo o que eu escrevo.

Portanto, por umas podem tirar as outras.   

Aniceto Carvalho