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Regresso a Couchel - Blogue

Aqui confirmamos sempre se não estamos enganados nem a enganar ninguém

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O símbolo de uma doutrina

O símbolo de uma doutrina

Como se supõe que toda a gente saiba, Berlim, a capital da Alemanha e maior cidade da Europa, não ficou na fronteira entre as duas novas alemanhas quando da sua separação no fim da Segunda Guerra. Não, Berlim ficou bem dentro da Alemanha de Leste, a centenas de quilómetros da Alemanha Ocidental. O Ocidente apenas ficou com um enclave na cidade, dividido em três sectores entre os Estados Unidos, a Inglaterra e a França.

Passei quinze dias no Sector Americano de Berlim em Outubro de 1975, fui tão entusiasticamente incentivado a visitar Berlim Leste pelos portugueses a trabalhar na Alemanha como se eu me quisesse suicidar.

Não fui lá, claro. Contudo, pelo que me contaram e vi para o lado do Berlim Leste eram dois mundos que nada tinham a ver um com o outro.

(Assim por alto, visto de cima do muro da parte americana, Berlim Leste era como estar a ver o Casal Ventoso da Praça do Rossio)

Constava que havia jovens moçambicanos e fugir e a serem recrutados para a FRELIMO, mas não se sabia nem interessava que se soubesse.

Estavam na República Democrática Alemã (RDA) - dizia-se. 

Após a independência é que se viu a quantidade de gente “qualificada” que de repente apareceu nas alfândegas e nos lugares mais estratégicos.

E vinham bem doutrinados: De tal forma que, para eles, jovens acabados de chegar à terra prometida, nem lhes passava pela cabeça que se pudesse ter estado na capital da RDA e não se ter visto a torre da televisão no Berlim Leste, o expoente máximo de tudo do melhor que existia  no mundo.

Esse jovens tinham estado na RDA a estudar: Ordenado, estudos, descontos sociais a reembolsar ou a transferir para Moçambique no fim do curso.

Debaixo do olho atento da URSS, a Alemanha de Leste estava a semear…

E, se o fluxo tinha sido modesto até 1975, a partir de então os estudantes moçambicanos na Alemanha de Leste passaram a ser aos magotes.

E assim continuou… Até que o Muro de Berlim desabou em 1989.

Os jovens moçambicanos tiverem de regressar a casa. A Alemanha de Leste deixou de existir, Moçambique não tinha nem nunca teve dinheiro.  

Tanto quanto se sabe, até ao atual, os antigos estudantes moçambicanos na ex-RDA ainda não se fartaram de protestar que têm sido indecentemente roubados, nem de levar porrada como pagamento a prestações.

Aniceto Carvalho