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Regresso a Couchel - Blogue

Aqui confirmamos sempre se não estamos enganados nem a enganar ninguém

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Oração a São Gregório

Oração a São Gregório

Não sei se porque as trovoadas eram mais intensas na altura, ou porque eu ainda estava na fase de estranhar às más disposições da natureza, fazia-me um bocado de confusão o violento ribombar da tempestade pelos montes e vales em redor, e as faíscas a riscarem o negrume das encostas.

A minha avó rezava de mãos postas à Santa Bárbara e ao São Gregório, eu tremia de medo no meio do desassossego das noites tenebrosas, o meu avô dizia que “eram eles lá em cima às voltas com a mobília”.

As minhas tias, a Dora, a minha madrinha, e a Alcina, iam para o piso superior da casa, não ligavam importância nenhuma ao festival.

Ao princípio, até aos seis anos… Porque depois, com o ciclone de Fevereiro de 1941, talvez pelo que com a ajuda da minha madrinha começava a retirar dos jornais que forravam as prateleiras da cozinha, estava a parecer-me que havia por ali qualquer coisa que precisava de ser melhor explicado.

Mas havia uma tradição: E quer o meu avô não ligasse, e as coisas da religião pouco dissessem às minhas tias e aos meus pais, éramos cristãos.

A minha avó era a devota da casa por todos: Eu apenas tive de seguir todos os preceitos de um bom cristão e da Santa Madre Igreja.

Sem problemas… nunca me deu por dentro nem por fora.

De tal modo que, levei as coisas tão a sério que, até hoje, mais de setenta anos passados, a oração ao São Gregório ainda não me esqueceu:

ORAÇÃO AO SÃO GREGÓRIO

(Guardem-na… pode dar jeito nas trovoadas mais fortes).

São Gregório se levantou, sua cajadinha tomou, lá no meio do caminho Jesus Cristo encontrou, Jesus Cristo perguntou:

Para onde vais São Gregório?

Vou derramar essas trovoadas que sobre nós andam armadas.

Derrama-as lá para bem longe onde não haja eira nem beira nem folhinha de figueira, nem mulher com menino, nem vaca com bezerrinho, nem pedrinha de sal, nem nada que nos faça mal…  ÁMEM

Aniceto Carvalho